Você já ouviu o ditado: “Pai rico, filho nobre e neto pobre”?
Apesar de antigo, esse dito popular é muito atual, pois na maioria das vezes o pai trabalha duro para construir um patrimônio, o filho gasta sem ter noção do valor do dinheiro e o para o neto só resta a história dos bons tempos. Talvez isso aconteça porque esteja faltando educação financeira nas famílias.
A Espaço Thá conversou com o educador financeiro Álvaro Modernell, sócio-diretor da Mais Ativos – Educação Financeira, que nos contou como inserir a educação financeira na vida de adultos e crianças. Confira atento o que você pode fazer para garantir para gerenciar as suas finanças com responsabilidade.
O que levar em conta na hora de fazer um planejamento financeiro?
Dois são os fatores principais: a realidade socioeconômica da família e os sonhos. Isso ajuda a definir dois pontos igualmente importantes: onde estamos e onde queremos chegar. Sem isso, e sem motivação, não há planejamento que apresente bons resultados.
Quanto da minha renda mensal devo economizar?
Depende muito da composição dessa renda. Como parâmetro genérico, de 10 a 15% são valores factíveis e ao mesmo tempo interessantes, para efeitos de constituição de patrimônio. Entretanto, alguns fatores devem ser ponderados, como por exemplo:
- Quem possui emprego estável e fundo de previdência fechada não precisa ser tão agressivo na hora de poupar.
- Profissionais liberais e outros com renda incerta devem ser mais conservadores, devem poupar mais a cada recebimento.
- Quem recebe grandes somas alguns meses e passa outros com rendas menores deve ser ainda mais poupador.
- Jovens que ainda moram com os pais deveriam aproveitar e poupar muito.
- Casais recém-formados devem aproveitar e tentar viver apenas com 50% da renda do casal e poupar e investir o restante.
Quais estratégias utilizadas para poupar?
Tudo depende da situação de cada um, mas alguns princípios são fundamentais para o sucesso das estratégias de poupança. O ato de de poupar deve ser:
- Contínuo;
- Compatível com a realidade e com os objetivos;
- Envolver objetivos estimulantes (viagem, estudo, casa própria);
- Ser no ato do recebimento das rendas;
- Deve-se estabelecer um valor ou percentual mínimo e atendê-lo;
- Deve-se equilibrar o presente com o futuro.
- Deve-se manter a firmeza, sem ser inflexível.
Como inserir a educação financeira na vida das crianças?
Quanto mais naturais e lúdicas forem as abordagens, melhor o aproveitamento. O ideal é aproveitar momentos da própria rotina da família e os próprios interesses da criança para falar sobre educação financeira, como, por exemplo, nas horas de pagar a mesada, quando ela pede brinquedos, quando vão fazer compras, nos passeios, nas visitas às sorveterias, bancas de revistas e outros momentos em que a criança normalmente está mais disposta a esse tipo de assunto.
Qual a idade ideal para ensinar as crianças o valor do dinheiro?
Valores devem ser ensinados às crianças desde sempre. Inclusive o do dinheiro. A partir do momento em que as crianças começam a ter noções de quantidades, números, preços e valores, fica mais interessante para elas que o assunto dinheiro seja abordado também. Antes disso, pode não ser muito adequado. Mas, a partir dos 6 anos, junto com a alfabetização tradicional, as crianças devem receber também a alfabetização financeira. Ao falar sobre o valor do dinheiro, é importante esclarecer que existem outros valores mais importantes, como a família, as amizades, a saúde e a ética, para que, desde pequenas as crianças aprendam a dar o devido valor ao dinheiro. Nem mais, nem menos.